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Momento DiVino "Diogo Campilho da Quinta da Lagoalva" 07/06/19 - A Tribuna Jornal - Santos
MOMENTO DIVINO 07-06-2019

Santé! O Encontro Mistral 2019 reuniu 68 produtores de 14 países nos salões do Hyatt em SP. E tive o privilégio de entrevistar o Diogo Campilho, enólogo, da Quinta da Lagoalva de Cima.


A Lagoalva estende-se pela margem sul do rio Tejo, próxima a Santarém e a 90 km de Lisboa. A propriedade agrícola de 6.000 hectares produz azeite, ervilhas, cereais, nozes e vinhos além de criação de animais (cavalos e bovinos). A empresa tem como acionistas o pai e os 5 tios do jovem enólogo.


Diogo é formado na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Trabalhou durante três anos e meio na Austrália como enólogo assistente, onde além de experiência, adquiriu mais conhecimento, aliando a contemporaneidade do Novo Mundo aos seus vinhos do Tejo.

Quando se deu o início da Quinta da Lagoalva?


Diogo C: Em finais de 1800 há registros da Quinta como propriedade de minha família, mas o vinho engarrafado como Quinta da Lagoalva chegou ao mercado somente na década de 80. 


Quantos hectares de vinhas?


Diogo C: São 50 hectares de uvas plantadas e aumentaremos para 70 has. As castas brancas são: Sauvignon Blanc, Alvarinho, Arinto, Fernão Pires, Verdelho, Chardonnay; e as Tintas: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta-Roriz, Cabernet Sauvignon, Shyrah, Tannat e Castelão (Periquita).


O Novo Mundo (Austrália) tem influência nos vinhos da Lagoalva?


Diogo C: Sim, positivamente. Faço colheitas apenas à noite, assim o meu vinho não perde aromas. Alterei os vinhedos pois nem todas as castas são iguais, umas são mais férteis que outras, então há que se tratar diferenciadamente. Esses pequenos ajustes, fazem toda a diferença no produto final. O vinho traz a identidade o enólogo. 


Como é o terreno da Quinta?


Diogo C: O Tejo está numa planície e tem grande disponibilidade hídrica. Novos vinhedos necessitam de água e temos sondas monitorando se o recebimento de água é adequado, caso seja necessário irrigamos, tudo com base na agricultura de precisão. 


Qual seu olhar para os orgânicos?


Diogo C: Nossos vinhedos são tradicionais. E isso implica nas melhores práticas culturais. Os vinhedos são meus, o solo é meu. Ninguém, mais do que eu, a se preocupar com isso. Produtos químicos serão usados apenas em casos raros, específicos para o salvamento do vinhedo, e, dentro de rigoroso controle.   Aliás o clima na região do Tejo, não me permite fazer loucuras e não tratar. Não posso esquecer que a minha marca será comprada, e entrará na casa do consumidor. Ele não perdoa! Caso o vinho não esteja em condições, ele não vai pensar se é orgânico ou biodinâmico. Ele vai dizer “comprei o Lagoalva e não gostei”. Penso que orgânicos ou biodinâmicos têm um nicho no mercado, mas usados um bocadinho mais como chavão de venda e de marca. Claro, essa é minha opinião. 


A modificação do nome da região Ribatejo para Tejo, teve alguma consequência para os seus vinhos?


Diogo C: Tejo é um nome mais simples de memorizar. Em termos de viticultura e enologia, a região chamando-se Ribatejo, Tejo ou Lisboa, independe, pois continuamos a ter o mesmo terroir, e as mesmas ideias. Fato é que a mudança para Tejo trouxe união dos produtores que passaram a ter o mesmo discurso relativo à região. E ganhamos mais notoriedade internacional. 


Seu vinho tem gênero? É mais feminino ou masculino?


Diogo C: Eu digo sempre: acima dos 40, homem e mulher, todos bebem vinho. Eu busco o consumidor de 25 aos 40, que tem dificuldade na escolha. Na Lagoalva crio vinhos de vários preços, para várias pessoas, mas não um vinho feminino. E sim um vinho mais fácil para atingir a mulher, porque é ela quem compra. E creio que as mulheres não fogem da marca preferida. A Lagoalva tem vinhos de todos os estilos, dos mais fáceis e mais redondos, aos de guarda e mais duros, enfim, vinhos para todos os gostos. Mas o consumidor, hoje em dia, compra o vinho que gostou. Apenas 1% da população analisa tecnicamente o vinho. Todos os outros, compram apenas porque gostam. 


O gosto pelo vinho está mudando?


Diogo C: As pessoas hoje querem vinhos mais prontos e fáceis de beber. Vinhos para acompanhar a refeição. Rosés de cor mais clara e sexy como os Provence. Ou tintos mais lights, mais elegantes, mais acidez e menos álcool.


A Lagoalva está no Brasil e quais outros países?


DC: Estamos no Brasil em parceria com a Mistral desde 1980. Vendemos para Canadá, Estados Unidos, toda a Europa, exceto Suécia e Finlândia. Entramos há pouco na Rússia. Existe uma grande apetência para o vinho português, o povo irmão brasileiro toda a vida ouviu falar do azeite e vinho portugueses, entretanto para um russo ou um dinamarquês é algo novo, mas estamos captando esses países, uma vez que Portugal é um polo turístico bastante visitado. 


Degustei todos os rótulos da Lagoalva no Encontro Mistral e desfrutei a maciez dos seus vinhos. O inesquecível Dona Isabel Juliana 2012, (R$547,97) top da vinícola, tem na cor já granada a essência desse blend maturado 14 meses em carv. francês, é volumoso e muito elegante. O Barrel Selection Branco 2014 (R$283,72) tem um quê de fumé blanc. A Sauvignon Blanc estagia 4 meses em carv. francês resultando em leve austeridade, notas vegetais, frutas tropicais e acidez intensa. O Late Harvest 2010 (R$364,90) inspirado na Austrália, mescla Gewürztraminer e Riesling num vinho doce, floral, mineral e complexo.


Todos os vinhos no site da Mistral - www.mistral.com.br


Até a próxima taça!


momentodivino@atribuna.com.br

PROVEI E INDICO


Lagoalva Rosado 2017
Uva: Syrah e Touriga Nacional 12,5°GL
Cor: salmão claro brilhante
Nariz: frutas vermelhas, toque floral
Boca: seco, acidez e taninos perfeitos, saboroso e elegante
R$119,75 


Lagoalva Tinto 2017
Uva: Touriga Nacional, Touriga Franca e Castelão (Periquita)
Cor: rubi intenso brilhante - 4 a 6 m de carv. francês e americano
Nariz: frutas vermelhas, baunilha 14°GL
Boca: seco, acidez e taninos redondos, fácil de beber
R$ 76,71 


Lagoalva Grande Escolha Alfrocheiro 2011
Uva: Alfrocheiro - 6 meses carv. francês
Cor: rubi com granada brilhante 14°GL
Nariz: complexo, bouquet cativante
Boca: seco, equilibrado, encorpado, taninos elegantes, longo
R$ 225,28 


Lagoalva Grande Escolha Syrah 2012
Uva: Syrah (12 m carv. francês de 1°e 2° uso)
Cor: rubi intenso brilhante 14°GL
Nariz: frutas vermelhas e negras maduras, especiarias
Boca: seco, frutado, equilibrado, encorpado, saboroso, potente e longo
R$ 364,90


 
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