Santé! O universo dos vinhos, antes dominado por homens, teve seu panorama profundamente transformado pela forte presença feminina. As mulheres não apenas consomem mais, como também ocupam postos de prestígio no setor.
Há cerca de 20 anos, muitas ainda carregavam o estereótipo de que só apreciavam vinhos “docinhos”. Hoje, as filhas e netas daquela geração destacam-se pela versatilidade. As mulheres são maioria nas universidades de enologia, mundo afora.
Há dados que demonstram, por exemplo, que os vinhos rosés têm maior procura atualmente por conta das mulheres e do marketing em torno do feminino. Isso não significa que nós só gostamos de rosés, significa que vendemos mais! E nem vou entrar no tema: Cabernet Sauvignon é para homens e Pinot Noir é para mulheres. Ou ainda: Barolo é masculino e Barbaresco é feminino. Aff!
Pesquisas de mercado indicam que a mulher tende a ser mais aberta a experimentar novas uvas, novas regiões, novos rótulos, sempre priorizando o equilíbrio e a complexidade sensorial. Mas penso que não se trata apenas dessa característica. O que ocorre é que a mulher conquistou a oportunidade de conhecer mais sobre esse mundo maravilhoso que é o vinho. Passou a ter acesso à complexidade de cada história engarrafada, porque todo bom vinho tem a sua.
Atualmente, dados revelam que as mulheres detêm maior poder de compra em supermercados, empórios e adegas. Somos nós que escolhemos os rótulos do dia a dia, das festas de aniversário e até os brindes de comemorações corporativas. E o setor vem abandonando o marketing complacente dos “vinhos para mulheres”, afinal sabemos o que queremos: somos consumidoras bem-informadas.
O protagonismo também se destaca no vinhedo e na adega. Enólogas, sommelières e consultoras tornaram-se presença constante. Não à toa, as mulheres trazem uma perspectiva sensível e detalhista ao processo de criação e produção dos vinhos. Conduzem e gerem vinícolas com respeito ao meio ambiente e práticas sustentáveis, além de divulgar, oferecer e comercializar o produto com excelência.
Não raro, grupos de mulheres se reúnem e encontram no vinho um momento de pausa e celebração de suas próprias jornadas. Confrarias femininas se expandem e ampliam o conhecimento sobre o tema. Uma taça de vinho, em um instante de introspecção, cumpre seu papel na vida de muitas de nós.
Não se trata apenas de uma bebida, mas de estilo de vida e autonomia.
O vinho, com sua complexidade e evolução ao longo do tempo, é frequentemente visto como metáfora da jornada e das características da alma feminina. É uma bebida que requer paciência, transforma-se, evolui e revela inúmeras nuances: cores, aromas e sabores distintos, diversos e pessoais.
O Dia Internacional da Mulher, celebrado amanhã, é comemorado mundialmente. No mundo do vinho, onde tradição e arte se entrelaçam, novos capítulos vêm sendo escritos por mulheres que desafiaram normas, romperam barreiras e hoje se destacam em uma área que, por muito tempo, foi dominada quase exclusivamente por homens.
Com raras exceções, como Barbe-Nicole Ponsardin (1777–1866), a viúva Clicquot, que em 1798 inovou a enologia ao criar o processo de purificação do espumante utilizado até hoje, transformando um champagne opaco e turvo na bebida límpida e brilhante que conhecemos. E muitas outras mulheres já foram brindadas e homenageadas nesta coluna, respeitosamente. Se quiser rever essas matérias, basta acessar o site www.enoamigos.com.br.
Desejo a todas e todos um Feliz Dia Internacional da Mulher.
Até a próxima taça!
MOMENTODIVINO@ATRIBUNA.COM.BR
@CLAUDIAENOAMIGOS